“Imitações da Vida” em Vila do Conde

By oonline

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Maria Nascimento

 Michael (Mike) Hoolboom, é um cineasta canadiano na área do cinema experimental que tendo organizado também várias exposições e instalações, escrito vários artigos e até livros, se encontra no nosso país por ocasião da sua exposição de retratos denominada Imitations of life, que está exposta na Solar Galeria de Arte Cinemática, em Vila do Conde, até dia 30 do próximo mês.

Em paralelo com a exposição foram exibidas algumas das suas obras cinematográficas experimentais e teve lugar no dia 5 uma Masterclass dirigida pelo próprio. Imitations of life, Public Lighting e Hiro (que compõe uma das 7 partes de Public Lighting) foram os seus trabalhos que o público poderia visionar.   

Como consequência dessa ocasião a Cinemateca Portuguesa de Lisboa exibiu na sala Luís de Pina, nos dias 7 e 8, respectivamente, os filmes: Imitations of life (2003) e Public Lighting (2004), ambos com a presença do realizador.     

Imitations of life, filme galardoado com o First Prize de International Non-Fiction no Corto Imola Festival em 2003, e cuja estreia em Portugal data de 2003 no Festival Internacional de Vila do Conde, segundo a minha perspectiva após ter visto os seus 2 trabalhos, pelo facto considerável de terem sido dados a conhecer também em Lisboa, tendo sido o meu primeiro contacto com a obra do cineasta foi o motivo que me fez não ter dúvidas de ir ver também Public Lighting.  

Esta obra, cuja inspiração adveio de considerações do artista acerca dos primeiros anos de vida do seu sobrinho Jack e, cujo título é uma alusão a um filme clássico de Douglas Sirk camuflado pelo s que lhe dá a noção de plural, é composta por 10 partes: In the Future (3:00), Jack (15:00), Last Thoughts (7:00), Portrait (4:00), Secret (2:00), In My Car (5:00), The Game (5:30), Scaling (5:00), Imitation of Life (21:00), Rain (3.30).

A obra começa com a célebre imagem do leão da Metro a rugir e acaba com Porky, o porquinho gago dos desenhos animados, que diz “that’s all, folks”. Entre este início e este final muitas imagens famosas e incógnitas são-nos apresentadas de uma maneira bastante interessante e poética fazendo-nos reflectir a presença constante das imagens na nossa vida e os vários contextos a que elas se podem relacionar. Por exemplo, o último episódio de Imitations of life, “Rain”, usa o vídeoclip Stranger In Moscow do cantor Michael Jackson para contar a história de 4 tristes solitários que o integram.

As 10 partes de Imitations of life estão claramente divididas mas também podem ser vistas como um todo. Todas elas trazem algo de novo e mostram um tipo de cinema experimental acessível, inspirador e que puxa pela nossa reflexão, através das imagens, fotos, música, quase sempre presente e, através dos textos que o autor, ou outras vozes não menos capazes de cativar os ouvidos dos espectadores, nos narra em voz off

É de salientar a parte denominada Imitation of Life, que sendo a mais longa, é também onde se integram a maior parte das imagens célebres do cinema. Outra parte que reflecte sobre a 7ªarte é a denominada In the future que gira em torno do impacto que o cinema, as imagens e as recordações tem nas nossas vidas, prevendo o significado que esta forma de arte poderá vir a ter.  

Public Lighting, filme mais recente que o anterior, a nível técnico iguala-se a esse. É constituido por 7 partes: Writing, In the city, Glass, Hey Madonna, Traditional, Hiro e Amy, pela respectiva ordem de enquadramento no filme. O primeiro episódio é justamente o que nos apresenta os seguintes através da voz de uma escritora que denomina as histórias seguintes por “public lighting”, ou seja, iluminações/ inspirações públicas. Seguem-se possíveis autobiografias de personagens que não vemos, entre os rostos famosos da música Madonna e Philip Glass e, outras histórias. O que caracteriza estas histórias é o facto de elas retratarem as personagens que apresentam ou quem as narra, uma pergunta que é apresentada no episódio de Hey Madonna pelo seu narrador, que é um seu suposto ex-amante desta: “Será que ser fotografado é a única forma de enganar a morte?” é a reflexão que na minha opinião liga as distintas partes.   
 

Para aqueles que possam ter oportunidade de contemplar algum trabalho de Michael (Mike) Hoolboom, aconselho que não desperdicem a possibilidade de ver e, simultaneamente, ouvir algo diferente.

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