O álbum da minha vida: Nevermind – Nirvana

By oonline

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Poder desenterrar este álbum do meu baú de memórias, constitui sempre para mim um motivo de grande satisfação.

Nevermind em português significa “esquece”. Puro equívoco, neste caso. Nevermind é inolvidável para quem o escuta com atenção e para quem tem presente a importância deste disco na história da música. É fruto de duas grandes mudanças na carreira da banda: a troca de baterista e de editora. Dave Grohl assume a bateria dos Nirvana em Outubro de 1990, em troca com Chad Channing. Chad não era um baterista medíocre, bem pelo contrário, mas Kurt Cobain andava descontente com o seu desempenho e decidiu dispensá-lo. A mudança de editora deveu-se a motivos de divulgação. O primeiro trabalho da banda, Bleach, editado em 1989 pela Sub Pop, recebeu críticas razoáveis, mas na verdade as vendas foram muito modestas. Nirvana merecia mais divulgação e reconhecimento. Em 1991 assinaram com a Geffen Records, e a partir daqui nunca mais pararam. Uma verdadeira maratona de gravações que culminou nesta preciosidade.
Nevermind é composto por 12 faixas e 1 “hidden track”. Cada faixa conta-nos uma história diferente. Transmitem ao ouvinte uma panóplia de sentimentos inexplicáveis, ainda mais tendo em conta que o álbum se encontra melodiosamente estruturado.

A abrir temos aquele que ainda hoje é considerado o hino Grunge, Smells Like Teen Spirits. Um riff e um solo poderosíssimo que não deixa ninguém indiferente, nem mesmo aqueles que não apreciam Nirvana. As baterias de Grohl também viriam a tornar-se conhecidas com esta canção. O expoente máximo da genialidade de Grohl enquanto baterista está aqui. Mas o que salta mais à vista, neste caso ao ouvido, é a emoção e a raiva da voz de Cobain. Talvez por isso tanta gente se sinta fascinada por este senhor cantor, que para mim é considerado o melhor vocalista masculino de sempre.

Ainda Smells Like Teen Spirits ecoa nos ouvidos, já estamos a ser “bombardeados com In Bloom. A segunda faixa de Nevermind pode representar a transição de um “rough rock”, característico de Bleach, para um rock mais “comestível”. Relativamente à letra, esta é uma ironia, e ao mesmo tempo uma crítica aqueles que escutam uma música por esta ser bonita e não pela sua mensagem.

Come As You Are, é a terceira faixa. Foi a responsável por tornar Nirvana uma banda aberta a todo tipo de públicos. Com uma melodia suave e graciosa, torna-se apelativa para todos os amantes de música. Os 3 acordes introdutórios são, possivelmente os mais tocados de sempre. Só um génio como Cobain, podia transformar 3 acordes tão básicos em algo tão maravilhoso. Pessoalmente é das minhas músicas preferidas, pois traz-me muito boas recordações. Contudo prefiro a versão Unplugged. Depois de uma música calminha, nada como “acordar”. Breed, a quarta faixa, faz-nos entrar num ambiente frenético. É das músicas mais empolgantes de Nevermind, tendo para mim um dos melhores riffs introdutórios de sempre.

Lithium é definitivamente a minha música preferida deste álbum, e de toda a discografia dos Nirvana. Escasseiam-me as palavras para falar desta música, e dos sentimentos que a mesma me provoca. É uma canção calma, muito calminha, mas com um refrão que explode nos ouvidos. “Yeah, yeah, yeah. I like it I’m not gonna crack; I miss you I’m not gonna crack; I love you I’m not gonna crack; I kill you I’m not gonna crack”. É absolutamente genial.

Polly é a senhora que se segue. Tocada numa versão acústica, segundo consta desafinada e com apenas 5 cordas, faz como que uma pausa para nos recompormos para a segunda parte do álbum. Uma canção enigmática que retrata a história de uma violação em Seattle de uma jovem rapariga.

Daqui para a frente as canções são cantadas a um ritmo frenético, tirando a última faixa Something In The Way, onde Kurt volta a “unplugar” a sua guitarra. A faixa sete, Territorial Pissings é um claro exemplo disso. É a canção mais enérgica de Nevermind, e é também onde Kurt faz renascer o Punk. É ideal para o “mosh”.

O romantismo também está presente em Nevermind. A faixa oito Drain You, mostra o lado romântico de Cobain. Contém uma mensagem subliminar para Toby Vail, ex namorada de Kurt. Lounge Act, Stay Away e On Plain, apesar de serem as músicas menos conhecidos do álbum, não deixam de estar carregadas de simbolismo, isto apesar de On a Plain ser a canção que menos significado tem, como o próprio Cobain confessa, a letra foi criada à pressão.

A última música como já referi chama-se Something In The Way, e é das mais conhecidas do reportório dos Nirvana. Num regresso ao acústico e à melodia calma, Something In The Way está envolta numa atmosfera pesada e sombria. A acompanhar a guitarra, junta-se um violoncelo que parece exprimir tristeza. É sem sombra de dúvidas uma das melhores canções do álbum e dos Nirvana.

A hidden track, é um Jam chamado Endless Nameless. Nasceu num ensaio, em que a meio da canção Lithium, Cobain começou a improvisar um solo. Da minha parte não me apraz fazer grande destaque.

É sempre difícil falar de alguma coisa que já foi falada milhares de vezes. Mas é algo que é irresistível. O fascínio que este álbum desperta é intemporal, e a morte do seu principal mentor, nunca apagará as memórias que este disco traz. Nevermind é como o vinho do Porto. Quanto mais velho, melhor!

Lançado em: 24 de Setembro de 1991

Gravado em 1990-91, Sound City , North Hollywood

Gênero(s) Grunge

Duração 42 minutos, 32 segundos

Gravadora(s) Geffen Records

Produção e arranjos: Butch Vig

Fábio Canceiro

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3 Respostas para “O álbum da minha vida: Nevermind – Nirvana”

  1. Destaques desta edição 3ªedição « Diz:

    [...] desta edição 3ªedição Cultura: Nobel da Literatura atribuído a Doris Lessing Album da minha vida: Nevermind, dos Nirvana Mostra do cinema brasileiro Crítica da semana: Sem reserva Britney Spears criticada após [...]

  2. junior Diz:

    o´que originalmente significa nirvana paraiso ou um templo mbudista

  3. suênia samara Diz:

    é a extinção da individualidade e sua absorção na divindade.

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